Panamá: a céu aberto |
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O céu vai mudando lentamente de cor e a cidade se ilumina. O sol saiu do Pacífico e rompeu uma das regras básicas da natureza que nunca achei que mudaría em minha vida de viajante. O sol Pacifico do amanhecer ilumina a grande fila de barcos que esperam cruzar o canal. Antes, os espanhóis cruzavam do Atlântico ao Pacífico em lombo de mula; depois, apelaram aos trens e, finalmente, depois de muitos sacrifícios de todo tipo, construíram imensas eclusas que hoje equilibram a agua entre um oceano e outro para que o comercio internacional funcione. Mas o sol avança bastante desde o Pacífico e isso me chama a atenção. Espera-se também do horizonte um postal típico de países centro-americanos, com uma grande sequência de casas térreas antigas o em construção, com um centrinho onde certamente está o coração financiero. Outra supresa: o emaranhado de edificios de última geração se revela sobre as margens da Cinta Costera – o verdadeiro cartão postal do Panamá é algo que muitos chamam de a Dubai da América Central (e que deve crescer de maneira mais impresionante ainda nos próximos anos, incluindo investimentos de 800 milhões de dólares somente na rede hoteleira). O Conjunto Monumental do Barrio San Felipe, o centro histórico da cidade, é Patrimônio da UNESCO. Mas um tour básico também deve incluir a Plaza Bolivar, com performers e músicos, a Plaza de la Independencia e sua Catedral, os muitos restaurantes e bares de la Herrera, e a Plaza Francia, para desfrutar da Puente de las Américas. Também valem a visita o Palácio Presidencial, o Museu de Arte Religiosa, o altar de ouro puro da Iglesia de San Jose e o Museu do Canal. Ainda assim, grande parte dos turistas acaba restringindo sua visita à cidade a uma única atividade: compras. Os tentadores shoppings panameños estão por toda parte – os mais famosos são o Allbrook Mall e o Multiplaza Pacific.
Rumo ao mar do Caribe, a paisagem vai ficando mais suave e inúmeras ilhas aparecem, como San Blas, que ficou famosa numa canção do grupo Maná, e por muitos é considerada uma das praias mais bonitas da América Central. E é justamente em sua simplicidade que atravessou os séculos que reside grande parte de sua beleza, com viajantes instalados em casas de pescadores e pequeñas cabanas rústicas. Para chegar, é preciso tomar um táxi aéreo ou barco. Já Bocas del Toro, a oeste, é mais desenvolvida e tem fauna e flora mais impactantes ainda. Aliás, o mar, as praias, o entorno, o povo e os lugareos são bem caribenhos, com um jeito latino inconfundível. E chegar ali é fácil desde qualquer uma das ilhas – e ainda há boa oferta gastronômica e pequenos resorts bem exclusivos e luxuosos (nos quais muitos hóspedes chegam a bordo de seus próprios iates). A Isla Contadora, também sobre o Pacífico, já foi local de descanso na antiga rota dos espanhóis que levavam as riquezas para Madri. Hoje atrai turistas também ávidos por seu campo de golf ou em busca de suas praias naturistas. Vale também citar Chiriquí, Darién e Coclé, que ainda não caíram na boca do povo apesar de toda a beleza natural – e da paixão que despertam sobretudo nos amantes do birdwatching. Se até os idos de 90 o Panamá era sinónimo de um canal económico, golpes e invasões estrangeiras, hoje o cenário mudou bastante. Depois de Rubén Blades asumir o ministerio do turismo nacional, investiu-se em campanhas de marketing e promoção turística e um hub aéreo americano – e cada vez mais turistas chegam, em busca das belas paisagens, da comodidade dos resorts e das novidades desse país que surpreende muito mais além do fato do sol sair desde o Pacífico e se perder, ao cair da tarde, em algum outro canto do mar que o viajante queira descobrir.
Como ir: o ideal é via Copa Airlines (www.copaair.com), com voos diretos desde São Paulo e Rio de Janeiro.
Na internet: www.atp.gob.pa
Texto e fotos: Sandra Kan |
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