Menu Content/Inhalt
Este mês arrow Europa arrow Espanha arrow Salamanca, la bella

Salamanca, la bella

PDF Print E-mail
Elaboramos um roteiro para um fim-de-semana incrível nessa cidade espanhola que consegue fazer o equilíbrio perfeito entre história, arquitetura, paisagens deslumbrantes e uma vida noturna pra lá de agitada.
Por Bárbara Conti 
 

 

A apenas 2h30 de distância de Madri, essa pequena cidade é um daqueles lugares que todos deveriam visitar. Eleita Capital Européia da Cultura em 2002, e desde 1988 reconhecida como Patrimônio da Humanidade, Salamanca é capaz de reunir arquitetura, história, lindas paisagens e uma vida noturna de fama internacional. Sua população de pouco mais de 160 mil habitantes sofre um grande acréscimo com os alunos de suas duas Universidades, fazendo de Salamanca uma cidade jovem e cheia de vida!  

Ainda que a cidade tenha muitas atrações e seja um dos destinos prediletos de estudantes europeus para o aprendizado do espanhol, o Giro Pelo Mundo faz um roteiro para quem não pode empreender muito tempo na visita, mas também não quer deixar a cidade de fora da sua passagem pela Espanha.

 

O trajeto Madri-Salamanca pode ser feito em trem ou ônibus, com preços e tempo gasto bastante semelhantes. O ideal é chegar no sábado bastante cedo pois, como grande parte das cidades espanholas, muitos estabelecimentos fecham no sábado à tarde e reabrem somente na segunda-feira, inclusive supermercados e lojas. Como a cidade é pequena, é possível andar a pé por toda a área de interesse turístico.

O primeiro lugar a visitar é a Plaza Mayor, uma das maiores e mais bonitas de toda a Europa. Sua construção foi feita com a pedra de Villamayor, que possui uma grande porcentagem de ferro, o que proporciona um brilho dourado, especialmente à noite. É ali que está localizada a prefeitura da cidade (ou Ayuntamiento), exatamente onde se encontram o relógio e os sinos. Nos pilares que sustentam os pórticos da Plaza estão retratadas diversas personalidades espanholas, desde o escritor Miguel de Cervantes ao ex-ditador Franco. Aproveite para entrar na Oficina de Turismo ali mesmo e retirar mapas e outros materiais de divulgação da cidade, além de solucionar dúvidas.

Ao lado da praça está situado o Mercado Municipal da cidade, aberto somente no período da manhã. Também são visitas imperdíveis as Universidades da cidade. A Universidad de Salamanca, fundada em 1218, divide com instituições como a Sorbonne o título de mais antiga do continente. Pode-se visitar as tradicionais salas de aula, a biblioteca e seus muitos pátios. Em sua fachada, além de medalhões e símbolos aristocráticos, há também a escultura de uma rã: reza a lenda que o visitante que conseguir encontrá-la irá retornar à cidade – por isso não estranhe os muitos grupos parados em frente à fachada, observando lentamente seus detalhes em busca da rã. A Universidad Pontificia é ainda mais bonita, mesmo que reúna um contingente menor de estudantes (8 mil contra os 40 mil da Universidad de Salamanca), e permite somente visitas guiadas.

Ali pertinho fica a Casa de las Conchas, cujas muitas pequenas esculturas no interior e exterior justificam o nome do prédio. Além funcionar como biblioteca e espaço de exposições, em ocasiões o espaço é utilizado para realização de apresentações musicais.

 

Após essas visitas, é momento de ir a outro dos principais pontos de interesse da cidade, o Convento de San Esteban. Construído no século XVI, apresenta características e renascentistas, e é possível investir horas em sua visitação, devido a seu tamanho. Diz-se que foi ali que Cristóvão Colombo teria discutido as teorias sobre a rota às Índias com os monges dominicanos, cujo apoio foi decisivo para a efetiva realização da famosa viagem.

Outro fato interessante de Salamanca é que ali existem duas catedrais, localizadas lado a lado e batizadas “Nueva” e “Vieja”. A Catedral Velha, em estilo românico e gótico, teve sua construção entre os séculos XII e XIV; especial atenção a seu altar principal e suas torres, de onde se tem uma vista muito ampla de toda a cidade. A Catedral Nova, construída entre os séculos XVI e XVIII, tem seus inúmeros altares laterais incrivelmente iluminados por 90 vitrais. Na fachada de ambas, impossível não notar a profusão de detalhes esculpidos; parte das paredes já foi submetida a uma restauração, durante a qual foram inseridos alguns símbolos contemporâneos, como um astronauta, um touro e um animal alimentando-se de sorvete.   

A sequência da caminhada ainda permite visitar outras atrações famosas da cidade, como o “Huerto de Calixto y Melibea”, o museu Casa Lis e o prórpio Rio Tormes - se possível, cruze o rio através de sua ponte romana no cair da tarde, para ter uma visão única das catedrais no alto. A Plaza de Toros, mesmo fechada, é uma visão impressionante para um estrangeiro, com a estátua de um touro diretamente em frente e vale o passeio. E faça então uma pausa para um típico chocolate con churros, chocolate quente espesso acompanhado de churros finos e sem recheio. O lugar mais tradicional na cidade é a “Valor”, cafeteria situada próxima às universidades, que também possui sua própria marca de chocolate.

 

À noite, não deixe de conferir a Plaza Mayor toda iluminada. Como a cidade é cheia de estudantes, a noite de Salamanca pega fogo a semana toda. Saia lá pelas nove da noite e comece pelo paraíso boêmio-culinário de Salamanca: a calle Van Dyck. A rua é muito frequentada pelos salmantinos e estudantes e tem comida e bebida de qualidade a preços muito baixos. Os salmantinos também adoram praticar o esporte preferido dos espanhóis em geral: o tapas-tour. Ou seja, passar a noite indo de bar em bar, provando uma bebida e um petisco em cada um. Os melhores: La Chupitería; Camelot; Gatsby; Tintín; Centenera e Kandhavia. E nas noites em que quiser ficar num lugar só, não tenha dúvidas: Medievo!!! A casa noturna tem o tradicional barra libre, em que você paga apenas 4 euros e bebe sangría, cerveza e calimocho à vontade a noite toda. É o preferido dos estudantes, especialmente às terças-feiras.

Há muitos, mas muitos outros lugares interessantes de se visitar na cidade; sua própria habilidade de mesclar o tradicional e o moderno de maneira tão harmônica é algo tão contagiante que por si só vale a visita. E é por isso que quem conhece Salamanca tem uma certeza: é uma cidade para se voltar sempre!

 

 texto e fotos: Bárbara Conti 

 
< Anterior   Próximo >

Giro Multimídia

Podcast
Vídeos