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Muito além de Bob Marley

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Percorremos a costa da Jamaica, em ritmo dee reggae regado a Caribe e ao famoso café das Blue Montains, num roteiro adorável.

A Jamaica  é uma das ilhas mais acessíveis do Caribe: são mais de 300 vôos internacionais por semana chegando somente ao aeroporto de Montego Bay; outros ainda aportam diariamente na capital Kingston.  Destino queridinho dos americanos, o país viu sua costa ser coberta de mega resorts inspirados no american way of life que ficam praticamente lotados o ano inteiro. Suas famosas praias de areia muito branca, águas cálidas e recifes de corais continuam, mesmo após a invasão do turismo de massa, seduzindo gente de todo canto.

Geralmente associada ao reggae, a Jamaica mostra ao turista, logo nos primeiros contatos, que vai muito além disso.  Primeiro, porque o ritmo ligado a idéias libertárias que ganhou o mundo no comecinho dos anos 70 nem é ouvido com tanta frequência quanto se poderia supor em seu território; e , segundo, porque, por mais importante que Bob Marley e Peter Tosh tenham sido, a ilha reúne atrativos naturais mais que suficientes para encantar o turista.

Desde os idos de Colombo, no final do século XV, a Jamaica passou por inúmeras transformações econômicas e sociais. Hoje, o turismo é a segunda maior receita do país, atrás somente da extração de bauxita; mas as heranças das colonizações espanhola e sobretudo inglesa ainda imperam em todo o país.   Assim como os ingleses, os jamaicanos seguem sendo extremamente pontuais, com senso de humor bastante seco e o trânsito caótico com a mão inglesa; como os espanhóis, gostam de festa e mesa farta e procuram imprimir um ritmo prazeiroso e despreocupado no que fazem. 

Apesar de serviço muitas vezes deixar a desejar, o turista rapidamente se integra ao slogan nacional: Jamaica, no problem e resolve deixar os dias de férias não seguirem padrão nenhum. Os casamentos por toda a ilha são frequentes: ao menos um por dia, mesmo às segundas-feiras, nos maiores hotéis. Nos próximos meses, outro item também deve atrair ainda mais turistas ao país: a Jamaica abrirá suas portas aos cassinos o que, espera, também provoque melhorias na infra-estrutura nacional, ainda precária em alguns aspectos.

A Jamaica está associada mesmo ao prazer: mega resorts all inclusive, recifes de coral, o mar caribenho transparente margeado por areias muito brancas em dias de sol intermináveis. Em regiões como a bela Port Antonio, entre o mar e a mata fechada, a gente se lembra que a Jamaica é também o cerne do rastafanismo que, muito além dos cabelos compridos em dreads, é uma religião e também uma filosofia de vida levada muito a sério. Em Portland, fica a visitadíssima Blue Lagoon, onde foi rodado o famoso filme com Broke Shields.  Mas  uma das cidades mais visitadas por turistas é Ocho Rios,  com mar azul intenso. As boas feirinhas de artesanato local fazem a festa dos turistas; mas a palavra de ordem é pechinchar, sem dó, embora a atração mais famosa sejam as Dunn's River Falls, cachoeiras que formam diversas piscinas naturais em andares em meio à mata até desembocar no mar.  Ordas de turistas “escalam” a cachoeira calçando tênis ou sapatilhas de plástico alugadas no local, de mãos dadas .  Ainda que a capital seja Kingston, é Montego Bay, a segunda maior cidade da Jamaica, que vive sua era de ouro,  com hotéis sempre lotados, praias de águas tranquilas,  animada vida noturna e o primeiro parque nacional jamaicano, Montego Bay Marine Park. Mas é Negril que compõe a melhor imagem praiana do país, com sua longa faixa de areia muito branca e mar transparente, tidas como “as sete milhas mais bonitas do Caribe”.

As famosas Blue Montains também podem ser avistadas, com coloração realmente semelhante ao azul, de vários pontos da ilha. É ali, em pouco mais de seis mil hectares, que é produzido até hoje o emblemático café de mesmo nome, um dos mais caros e mais apreciados no mundo, que tem noventa por cento de sua produção consumida pelos japoneses.  Ali pertinho é possível subir o Rio Grande, formado pelas chuvas que descem das Blue Mountains, atravessando zonas de floresta cortadas por belas cascatas.  Se o foco passar do café para o rum,  é no Black River, mais especificamente no vilarejo de St. Elizabeth, que estão as origens do famoso Appleton e ali suas destilarias podem ser visitadas após um agradável safári aquático para ver de perto imensos crocodilos.

Mas se a paixão do turista for o reggae, a peregrinação deve começar no Museu Bob Marley, em Kingston, e rumar para o mausoléu de Peter Tosh, na estrada entre Savana la Mar e Ocho Rios. Depois disso, aí sim chegar à mítica Nine Mile, a casa-museu onde viveu Bob Marley, e que guarda até hoje muitos de seus pertences, roupas e instrumentos.

 

Evite:

• freqüentar lugares ermos ou escuros sem um guia – os golpes contra turistas desavisados são comuns na noite jamaicana

• alugar um carro. Além da mão inglesa, as estradas são precárias. Fique com os táxis e vans que fazem os passeios turísticos em todo o país.  Mas não esqueça de combinar calma e determinadamente o preço antes da viagem começar.

• andar sem trocados.  Notas pequenas, mesmo que dólares americanos,  facilitam definitivamente a negociação dos preços – hábito necessário em todo o país.

 

 

Experimente:

- jerked chicken

-  o tubérculo ackee

- café calypso

 

Para trazer na mala:

-  uma garrafa de licor Tia Maria e outra de rum Appletown

-  café Blue Mountain

-  máscaras de madeira esculpidas por rastafáris

 

Dicionário básico de patois

Wha gwane - e ai, tudo bem?
Irie man - tudo certo, tudo beleza
Tings criss - incrivel!
Me run tings - deixa comigo
Yard vibes - vibracoes jamaicanas
Hey mon – oi, cara

Hospedagem

São inúmeros as opções de hospedagem em toda a Jamaica, sendo a maioria em sistema all inclusive. Os hotéis da rede Sandals  contem com pacotes chamados de luxury included vacations, que incluem, além de todas as refeições e bebidas consumidas nos resorts, os  traslados ida e volta do aeroporto de Montego Bay e esportes náuticos como snorkel e mergulho em suas tarifas básicas.

SANDALS WHITEHOUSE  - exclusivo para casais,  fica em Savana La Mar e tem valores de sete noites a partir de  U$S 1.568,00 por pessoa. www.sandals.com

SANDALS DUNNS RIVER – em Ocho Ríos, tem valores com tudo incluído por uma semana a partir de U$S 1.309,00. www.sandals.com

BEACHES NEGRIL  - ideal para famílias com crianças, fica na faixa de praia mais bonita do país e tem valores de sete noites a partir de U$S 1.435,00 por pessoa. www.beaches.com

 

Para curtir a noite:
As franquias Margueritte Ville estão por toda a ilha. Negril concentra outras boas alternativas, como Rick’s Café, Bar Xtabi e o Kaiser’s Cafe onde, reza a lenda, vez ou outra Ziggy Marley dá uma canjinha.

Se o reggae não for sua praia, também em Negril, as casas noturnas Close Encounters e Compulsion têm bons DJs e estão frequentemente cheias.

 

Texto e fotos por Mari Campos
 

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